Dado que o atual mandato autárquico, saído das eleições de 29 de Setembro de 2013, se aproxima do seu final e as novas eleições estão marcadas para o próximo Outubro, daí saindo os novos Elementos para os 308 Municípios e 3092 Freguesias, achamos por bem tentar uma pequena conversa com os atuais responsáveis das autarquias deste concelho. Iniciamos com a União de Freguesias de Tarouca e Dalvares e a Freguesia de Salzedas e, no próximo mês, teremos outras duas. Se no início do atual mandato os questionámos sobre as razões que os levaram a assumir tal responsabilidade e projetos em carteira, procuramos agora indagar da ação realizada e da obra ainda não cumprida, bem como da disponibilidade em continuar, por mais um mandato, à frente dos destinos de quem os elegeu.A todos eles, e desde já, o nosso agradecimento pela atenção dispensada.

 

MANUEL FRANCISCO ALVES PINTO LARANJO – Para além de outros cargos ocupados em mandatos anteriores, alguns há mais de três décadas, no mandato de 2009 ocupou o lugar de Tesoureiro e neste último, de 2013, passou a ser o Presidente da Junta de Freguesia de Salzedas. Simultaneamente, fez também parte da Assembleia de Freguesia, dos órgãos da ex-Casa do Povo…e grande responsável pela fundação do Centro Social Paroquial. Porque a curto prazo do término deste mandato, começámos por lhe perguntar:


 
N.B.D…1 – Porque três anos do seu mandato à frente desta autarquia passaram já, pode dizer-nos o que do seu programa foi já realizado?
M. L… - Começarei por agradecer mais esta oportunidade de levar ao conhecimento dos estimados leitores deste N.B.D., permitindo informar do que muito se tem feito na nossa Freguesia, sempre numa perspetiva de futuro, ou seja, privilegiando o desenvolvimento integrado desta área e seus moradores. Lembramos, antes de mais, que as obras físicas só têm sido possíveis levar a efeito com a colaboração da Câmara Municipal de Tarouca, pois sem o apoio desta, com mão-de-obra e/ou materiais, tudo seria bem mais difícil, tendo em consideração o reduzido valor das nossas receitas próprias. Sem dúvida que, sem esse apoio, nunca teríamos chegado tão longe. Mais concretamente em resposta à sua questão e com exceção das acessibilidades previstas, dir-lhe-ei que temos o programa executado. Todavia, isso não quer dizer que já tenhamos tudo feito. Bem pelo contrario, há muito por fazer, tanto mais que quando o País cresceu e havia muito dinheiro a poder ser utilizado, diria que a Freguesia não se desenvolveu quanto deveria.
Fizemos muitas obras nestes últimos tempos, algumas das quais não são visíveis, é certo, mas temos consciência e muito acreditamos que estamos no caminho certo. Se descrevêssemos aqui tudo o que foi feito, provavelmente não haveria espaço para as outras questões. Diria que as mais relevantes tivessem sido o começar por ajudar a desbloquear, a concluir e a pôr em funcionamento os equipamentos de que há muito a Freguesia necessitava, concretamente o Centro Social Paroquial da Vila de Salzedas, a Capela da Sagrada família, o comprar um novo trator e o terreno junto ao cemitério. Além disso, em Salzedas concluímos o saneamento que faltava, terminou-se a parte em falta do caminho da Carangaia e fez-se o alargamento da ponte de S. Pedro. Em Vila Pouca registamos a construção do espaço dedicado a S.ta Luzia, o alargamento da estrada, a pavimentação do caminho do Torno e as obras na Capela. Em Meixedo terminámos a pavimentação do caminho do Vale das Vinhas, disponibilizamos um espaço para a catequese e sala mortuária, interviemos na capela e temos em curso a reposição integral da toponímia e numeração métrica de polícia. E na Murganheira pavimentamos o caminho das Regadas, obra prometida há mais de 30 anos e agora finalmente executado, para além de várias intervenções de menor monta.
Não podemos deixar de referir aqui das “obras” que para nós têm tanta ou mais importância que as já referidas, desejando nós evidenciar a interligação às pessoas e realçar os apoios que lhes temos dado. Desde o preenchimento de um simples documento, passando pelas marcações das consultas, da satisfação dos mais variados problemas e dúvidas ou mesmo arranjar soluções definitivas para o seu bem-estar, quanto tem sido feito em prol de quantos o necessitam ou procuram. Quem não se lembra, por exemplo, de como viviam uma mãe e um filho na Vila Pouca e / ou uma mãe e dois filhos em Meixedo, comparado com o conforto de hoje? Sem dúvida que, para nós, esse tipo de intervenção é a maior obra levada a efeito.

N.B.D…2 – Se alguma coisa falta ainda, será que ainda vai ser feito ou quais as razões que o impediram?
M.L…- Ninguém entenderia que aqui disséssemos que tudo estava já feito na nossa terra. No entanto, aos poucos e poucos, vamos dotando a Freguesia de soluções para o futuro. O que, na nossa opinião, e no dia-a-dia mais falta nos faz, são as acessibilidades aos terrenos agrícolas e ainda a energia elétrica para os mesmos. Achamos que, nos tempos que correm, são essenciais ao desenvolvimento da produção agrícola. Infelizmente para a nossa Freguesia, pela primeira vez durante um mandato, não abriu uma única candidatura para apoio a estas obras, o que nos torna impotentes perante as dificuldades por nós reconhecidas.  
A recuperação do antigo edifício da Casa do Povo, o alargamento do Centro Cívico em Meixedo, a construção de um armazém/estaleiro ou a resolução definitiva dos contentores do lixo junto ao convento são, entre muitas outras coisas, as nossas prioridades. Como muitos o sabem, só a falta de recursos tem inviabilizado as nossas pretensões e impedido a sua execução.

N.B.D…3 – Diga-nos o que mais o agradou e com que apoios com que contou.
M.L…- Quanto a isso, a maior gratificação foi o acreditar, por parte das pessoas, investidores e instituições, no potencial da nossa terra. Para nós, o investimento é essencial, sem o qual é deveras difícil desenvolver a potencialidade agrícola e cativar e fixar as novas gerações. Por isso, todos os que vierem e queiram colaborar nesse desenvolvimento, serão apoiados dentro das nossas possibilidades.
O apoio da Câmara Municipal de Tarouca foi fundamental e o excelente relacionamento com as restantes Juntas de Freguesia do Concelho, bem como com as nossas vizinhas de Armamar e Lamego, tem sido muito proveitoso. Fomos sempre muito bem atendidos nas instituições, nomeadamente pela Direção Regional de Cultura do Norte (fundamental para as obras no convento), pela Direção Regional da Segurança Social em Viseu e pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional de Lamego, bem como localmente, por parte da Paróquia e da Sociedade Filarmónica (Banda), que têm sido uns excelentes parceiros. De salientar também e aqui, que para nós tem sido fundamental a compreensão de todos os nossos conterrâneos, que desde a primeira hora entenderam a gravidade da situação económica da nossa Junta e também da nossa Câmara. A todos eles o nosso sincero agradecimento.

N.B.D…4 – E dificuldades ou incompreensões, será que as houve? E como tentou ultrapassá-las?
M.L…- Quem está nestas funções sabe que as dificuldades ou incompreensões são constantes, mas é nossa obrigação transformá-las em oportunidades. É isso que temos feito diariamente. Dou-lhe um exemplo: Quisemos fazer uma intervenção no leito do rio à entrada de Salzedas, que passaria essencialmente pela pavimentação do respetivo leito, sem que os direitos dos utentes das águas de regadios colidissem com o direito de utilizar esse espaço pelas pessoas. Pelos estudos e orçamentos que nos foram apresentados, seria impossível fazer a obra sem apoio comunitário e não víamos no horizonte possibilidade da abertura das referidas candidaturas. Decidimos, então, avançar sozinhos e, com o apoio da Câmara Municipal, a obra será uma realidade no próximo ano. Sê-lo-á feito por valores, e aí é que queremos chegar, por valores de cerca de um décimo ou, se quiser, apenas dez por cento do inicialmente previsto.
Quero com isto dizer que a imaginação e a conversa com as pessoas têm-nos feito ultrapassar as inúmeras dificuldades que nos vão surgindo, com o objetivo do engrandecimento geral.

N.B.D… 5 – Finalmente, será já altura de nos poder informar se novo mandato está nos seus objetivos?
M.L…- Sendo normal, nas eleições autárquicas, uma equipe poder fazer, pelo menos, dois mandatos, é esse o nosso objetivo. Assim, a seu tempo e com muita humildade nos apresentaremos às próximas eleições, desde já sabendo das dificuldades que nos esperam, mas crentes que com a experiência acumulada e, como tudo indica, com mais recursos, num futuro próximo estaremos em condições de fazer mais e melhor por toda a Freguesia e todos os seus moradores.

in  Notícias Beira-Douro